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Correntes
de Psicoterapia
Inicialmente
é bom lembrar que existem muitas linhas, tendências,
teorias e técnicas em psicoterapia. Todas elas têm
a mesma eficácia e conseguem resultados igualmente positivos,
usando, no entanto, caminhos totalmente diferentes para obtê-los.
Interfere muitíssimo também, a personalidade de
cada terapeuta, que, evidentemente, dá uma tônica
pessoal no processo psicoterápico. Há também
terapeutas que associam duas ou mais abordagens. Na escolha de
uma psicoterapia ideal, mais importante que a linha que cada terapeuta
usa é o contato pessoal entre o paciente e seu terapeuta.
Observar o estilo do consultório é uma boa dica,
pois revela muito da personalidade do terapeuta. Sempre é
bom ter em mente que uma psicoterapia, não importa em que
linha seja, costuma ser um processo intenso e prolongado. Isto
quer dizer que deve haver uma fácil empatia com o terapeuta,
para que o processo se torne mais agradável e fluido. Estão
aptos, pelas leis brasileiras, a oferecer uma psicoterapia adequada
profissionais das áreas de Psicologia, Psiquiatria e médicos
em geral, bem como assistentes sociais especializados.
Freudiana - Esta é a conhecida "Psicanálise"
introduzida pelo famoso psiquiatra austríaco Sigmund Freud.
Esta é a linha de psicoterapia mais clássica e conservadora,
com direito a divã e tudo o mais. O psicanalista ortodoxo
é aquele terapeuta lacônico e monossilábico
que interfere o menos possível no discurso do paciente.
As sessões tendem a ser muito freqüentes (três,
quatro e até mesmo cinco vezes por semana) e todo o processo
é demorado e profundo, arrastando-se por décadas.
Os pressupostos freudianos são o da existência de
um inconsciente eminentemente sexualizado e formado por conteúdos
reprimidos, por vezes, desde a mais tenra idade. Atualmente a
grande maioria dos psicanalistas está tendendo a suavizar
um pouco mais as rígidas regras instituídas por
Freud. Eles se dizem então "com tendências psicanalíticas"
ou "de fundo psicanalítico" e não mais
"psicanalistas". A Psicanálise de grupo também
é forma muito comum e bem mais econômica de se fazer
este processo, sem que se perca na qualidade. Pelo contrário:
acrescenta-se a vivência dinâmica à Psicanálise.
É bom lembrar que a Sociedade Psicanalítica de Brasil
credencia qualquer pessoa com nível superior completo que
tenha feito seu curso de formação e tenha se submetido
à análise didática, não apenas psicólogos
e médicos.
Kleiniana
- Melanie Klein era discípula fiel de Freud, não
obstante, acabou por criar sua própria linha de psicanálise,
imprimindo um cunho muito mais "feminino" à rígida
visão freudiana. Todos seus estudos sobre a psicologia
infantil e, mais especificamente, do bebê, revelaram todo
um mundo até então desconhecido para os estudiosos
de Psicologia. A abordagem de Saúde Mental infantil e a
Ludoterapia, são normalmente de embasamento kleiniano.
Mas não somente para crianças esta teoria é
feita: sua aplicação em adultos é muito útil
e eficaz, trabalhando de maneira mais leve os consteúdos
inconscientes do paciente. Evidentemente, a busca por conteúdos
antigos e ligados à infância, como raízes
das neuroses do adulto, é o foco da psicoterapia. As sessões
são em freqüência de uma a três vezes
por semana, em um processo individual relativamente demorado.
Lacaniana - O psiquiatra francês Jacques Lacan, também
discípulo de Freud, propôs sua Psicanálise,
baseando-se na idéia de inconsciente freudiano de um lado
e, de outro, na teoria lingüística de Sausur. A aparência
da psicanálise lacaniana é a mesma da freudiana,
mas, na prática, são feitos jogos de palavras e
a idéia do "ato falho" é explorada ao
extremo (significado/significante). O grande objetivo de todo
o processo psicanalítico, bem como de cada sessão
isoladamente é o "corte". Por este "corte"
entende-se o desnudar prático da neurose "pega em
flagrante", por assim dizer, o que é inevitavelmente
embaraçoso para o paciente, que se percebe repetindo "receitas
antigas" de comportamento. Esta linha é mais agressiva
que a Psicanálise tradicional, mas o processo também
é demorado e a freqüência das sessões,
alta.
Junguiana - Esta linha foi criada pelo psiquiatra suíço
Carl Gustav Jung, originalmente discípulo de Freud. No
entanto, atualmente esta teoria guarda poucas semelhanças
com a Psicanálise. Chamada em alemão de "Psicologia
Profunda" (Tiefenpsychologie), esta proposta de psicoterapia
visa principalmente a transformaçãodo indivíduo,
tendo por linha mestra o contato com o Inconsciente Coletivo.Isto
quer dizer que os terapeutas junguianos têm a tendência
a trabalhar com sonhos, mitos das mais variadas origens, religiões,
arte, imaginação ativa e conhecimentos antigos da
humanidade como o Tarô, a Astrologia, etc. As sessões
costumam ser na freqüência de uma ou duas vezes por
semana e o processo também é longo. Segundo o próprio
Jung, por ser esta linha psicológica muito requintada e
elaborada, ela seria indicada somente para aquelas pessoas mais
imaginativas e artísticas, com uma capacidade intelectiva
superior. Existem variantes desta teoria que incluem a Calatonia,
desenvolvida no Brasil por um dos discípulos de Jung: o
psicólogo húngaro Petor Sandor. Na verdade a Calatonia
é uma abordagem muito mais corporal do que verbal, mas
que mantém os mesmos pressupostos junguianos. Muitos psicoterapeutas
junguianos dão preferência às artes em geral
e podem propor uma "arte-terapia" ou um processo com
caixa de areia chamado "sand play".
Psicodramática - O Psicodrama foi criado pelo psiquiatra
Jacob Levi Moreno, igualmente discípulo de Freud. Tendo
ele rompido com o criador da Psicanálise, achou inspiração
da função catártica do Teatro Grego, como
rito dionisíaco, para promover a catarse e a liberação,
imprimindo um caráter dinâmico ao que até
então era feito de maneira unicamente verbal e estática.
O Psicodrama é feito eminentemente em grupo, onde as vivências,
fantasias e complexos dos pacientes sãodramatizados e revividos
à exaustão no processo terapêutico. Mesmo
sendo a vivência psicodramática grupal o grande objetivo,
muitas pessoas não estão aptas a ela de pronto e
necessitam de um preparo individual, que podese estender por alguns
anos. Ocorretambém de todo um processo ser feito apenas
no âmbito individual, sem que necessariamente ocorraa psicoterapia
em grupo. As sessões ocorrem uma ou duas vezes por semana
em um período de vários anos de processo psicoterápico.
Quando o Psicodrama é aplicado a grupos específicos,
como empresas, escolas ou mesmo na sociedade em geral, é
chamado de "Sociodrama" e pode ser feito em "ato"
único (não se diz sessão) ou em um processo
definido. Vivências psicodramáticas (somente intrapsíquicas
ou efetivamente dramatizadas) podem ser facilmente aplicadas em
"workshops" e grupos terapêuticos de crescimento
e se tornam instrumento muito útil em diversas áreas,
devido ao seu teor prático e facilmente assimilável
por qualquer pessoa, de qualquer meio social.
Reichiana - Teoria psicológica criada pelo psiquiatra
alemão Wilhelm Reich. Reich era também discípulo
de Freud, mas posteriormente criou sua própria visão,
baseada no copo físico como principal instrumento do trabalho
terapêutico. A psicoterapia reichiana parece, à primeira
vista, mais uma ginástica ou algo assim. Mas não
se engane: ela trabalha profundamente e de forma direta conteúdos
inconscientes profundos. Na prática serão revistas
e exercitadas posturas, respiração e o tônus
muscular corporal, visando a liberação das "travas"
musculares que impedem a liberdade de movimentos e a livre expressão
do psiquismo. O processo é doloroso e cansativo, mas os
resultados são rápidos e eficazes. A freqüência
das sessões será normalmente de uma a duas vezes
por semana, num processo individual que dura alguns anos.
Bioenergética - Técnica reichiana desenvolvida
pelo psiquiatra americano Lowen que trabalha o corpo de forma
mais agressiva e incisiva que as técnicas reichianas originais.
Lowen propôs exercícios respiratórios e posturais
que visam a catarse e a rápida liberação
de complexos e neuroses. São possíveis tanto um
processo individual contínuo, quanto grupos terapêuticos
e "workshops" para crescimento e autoconhecimento.
Corporal - Sob este nome, encontram-se psicoterapeutas que
unem as diversas técnicas corporais da Psicologia (Reich,
Bioenergética, Calatonia, etc) às técnicas
de abordagem corporal da Fisioterapia e Massoterapia (Do-In, Shiatsu,
Massagem Sueca, Acupuntura, Moxabustão, etc.). A eficácia
destes métodos reunidos é ótima tanto para
questões psíquicas, quanto para questões
físicas. As sessões podem ser restritas à
crise ou se prolongarem em um processo contínuo. Em crise
as sessões são diárias. Fora da crise, costumam
ser semanais. A duração do processo varia de acordo
com o objetivo instituído e com o problema que está
sendo trabalhado. Especificamente em Terapia Corporal, fisioterapeutas,
professores de Educação Física e profissionais
para-médicos estão habilitados a exercer esta atividade.
Existencial - O Existencialismo é uma filosofia humanista
que teve origem com Kierkgaard e Heidegger no século XIX.
No século XX teve continuidade com Jean-Paul Sartre, Simone
de Beauvoir e Merlot-Ponty, na França. Da visão
filosófica, originou-se a psicoterapia existencial que
tem por foco o "aqui e agora" e a vida consciente do
paciente. Muitíssimo objetiva e prática, esta linha
trabalha as escolhas e opções do indivíduo,
ampliando sua visão sobre sua própria vida. Os terapeutas
existencialistas podem ser vistos como pessoas agressivas, porque
normalmente deixam muito claro o que pensam e sentem, mas isto
não é verdade, é apenas a maneira existencial
de entender o relacionamento humano: baseado na transparência
e na sinceridade para consigo mesmo e para com o outro. A freqüência
das sessões e a duração do processo são
muitíssimo variáveis, assim como são variáveis
os terapeutas existencialistas. Uma dica: nem pense em falar sobre
sonhos e devaneios com nenhum deles. O foco é realmente
a realidade objetiva e atual da vida.
"O
significado do discurso não é simplesmente
a mensagem conscientemente enunciada. Todo discurso
é dito de uma determinada forma. Ele é
regido por um como - que não é dito,
que está nas entrelinhas, no 'pathos'... É
justamente aqui, no nível do não-articulado,
que se encontra o sentido do discurso".
Kierkgaard |
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Heidegger
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Simone de Baeauvoir
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Sartre
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Gestáltica - A "Gestalt Terapia" tem origem
no Existencialismo. A palavra alemã "Gestalt"
significa "forma", "figura", "conformação"
e é usada para designar a estrutura psíquica básica
de funcionamento do Ser Humano. Poder-se-ia resumir a Gestalt
na seguinte idéia: "Eu sou eu, você é
você. Eu não estou aqui para satisfazer as suas expectativas,
você não está aqui para satisfazer as minhas.
Se mesmo assim, nós nos encontrarmos, será maravilhoso.
Se não, não há nada a fazer". Esta é
uma abordagem bastante prática que visa favorecer o Encontro
através de determinados exercícios, experiências
e laboratórios. Muitas vezes é feita em grupo: tanto
em grupos terapêuticos (grupos de crescimento pessoal autolimitados)
como em psicoterapia de grupo (processo psicoterápico grupal).
Tende a ser um processo leve, bonito e não tão demorado.
Antroposófica - Linha alternativa de abordagem psicoterápica
com base na filosofia criada pelo pensador austríaco Rudolf
Steiner, no final do século XIX. Baseando-se nos estudos
esotéricos da Helena Petrowna Blavatski e na teoria filosófica
de Goethe, Steiner criou a Antroposofia suas inúmeras aplicações
em todas as áreas do conhecimento humano (Medicina, Farmácia,
Arquitetura, Engenharia, Dança, etc). A Psicologia Antroposófica
foi uma lacuna deixada por Steiner e que passou a ser preenchida
na segunda metade do século passado por autores como Rudolf
Treichler e seu filho Markus Treichler, porém sem conformar-se
ainda como uma teoria completa. Uma das grandes contribuições
para o entendimento da Psicologia Humana é o estudo da
Biografia. No Brasil, a médica alemã Gudrun Burckhart
desenvolveu centros de estudo biográfico, como o Artemísia
em São Paulo, onde pessoas se propõem a passar um
final de semana ou um semana, revendo em grupo o curso de suas
vidas. Como psicoterapia propriamente dita, a Antroposofia ainda
conseguiu se definir até o momento. O que se vê é
que existe uma tendência forte em unir as idéias
antroposóficas à outras linhas pré-existentes,
variando muitíssimo de terapeuta para terapeuta. Terapias
coadjuvantes ligadas à Antroposofia podem ser muitos úteis,
quando associadas a uma psicoterapia: Massagem Rítmica,
Eurithmia Curativa e Terapia Artística, por exemplo. A
própria medicação antroposófica (homeopática,
fitoterápica ou alquímica) facilita muitíssimo
o desenrolar do processo psicoterapêutico, seja em que linha
for.
Renascimento - Ainda no âmbito alternativo, a técnica
do renascimento está sendo muito empregada hoje em dia,
sem que, no entanto haja uma definição precisa de
seus limites ou um padronização de sua aplicação,
que ainda varia muito de terapeuta para terapeuta. A técnica
consiste em exercícios respiratórios, físicos
e de meditação que tendem a romper a ligação
com a realidade e a reviver os momentos do parto. Este método
é tido como extremamente agressivo e (por que não
dizer?) perigoso, quando não muito bem orientado. Normalmente
faz-se um período intensivo de exercícios, que são
aplicados em um final de semana ou alguns dias e depois uma manutenção
do processo em sessões semanais. Os resultados, quando
positivos, são imediatos e impressionantes.
Hipnótica - A psicoterapia por Hipnose é ainda
muito utilizada hoje em dia. Foi criada na França pela
figura controversa do Dr. Mesmer (de onde o termo "Mesmerismo")
e aprimorada pelo médico francês Jean-Martin Charcot
em meados do século XIX, tendo sido inclusive largamente
utilizada por Josef Breuer e pelo próprio Freud. Ainda
vista como linha alternativa, o objetivo é a pesquisa por
indução de sono hipnótico de fatos bloqueados
neuroticamente na memória do paciente e o tratamento de
sintomas por sugestão pós-hipnótica. Atualmente
há uma tendência generalizada, no entanto, em não
induzir o estado hipnótico profundo, mas apenas um estado
pré-hipnótico, onde o paciente mantém sua
consciência em uma espécie de relaxamento torporoso.
Os resultados são muito bons quando a técnica é
bem aplicada, principalmente em doenças emocionais graves
como pânico, ansiedade, fobias e depressões. Há
também a melhora importante dos sintomas de pacientes psicóticos
agitados e de deficientes mentais problemáticos, o que
não dispensa, evidentemente, o acompanhamento médico
psiquiátrico constante. As sessões, após
entrevistas preliminares podem ser semanais ou diárias,
em épocas de crises e o tratamento se estende enquanto
houver necessidade de controle de sintomas. A Hipnose pode ser
praticada por terapeutas com formação na área,
não necessariamente médicos ou psicólogos.
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Ilustrações
de Mesmer e de Hipnotismo
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Charcot
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Breuer
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Regressiva
- A Terapia Regressiva a Vivências Passadas, também
da linha alternativa, baseia-se na indução pré-hipnótica
como principal instrumento na pesquisas e tratamento de eventos
traumáticos no passado (nesta ou em outras vidas). Extremamente
controversa, por basear-se no pressuposto da reencarnação,
esta técnica tem se apresentado muito útil no tratamento
de doenças emocionais graves como pânico, fobias
ou depressões, com excelentes resultados. O processo é
delicado e trabalhoso e requer um profissional especializado e
extremamente cuidadoso para ser bem sucedido. Por ser considerada
uma abordagem agressiva, não é indicada para pessoas
com problemas de saúde graves (cardiopatas, hipertensos,
pessoas com problemas de coluna, etc.) e para pessoas sem uma
ótima estrutura psíquica prévia (qualquer
tipo de tendência psicótica, ainda que aquiescente,
tendências suicidas, etc.). Após várias sessões
preliminares, ocorrem sessões de regressão induzida,
seguidas por várias sessões de análise do
material obtido, antes que se repita outra regressão e
assim por diante, em um processo que dura em média de dez
a vinte regressões no total (o que equivale a um ou dois
anos de psicoterapia).
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