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ÊXTASE
OU ENGANAÇÃO?
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Quem
já não observou a alegria e o entusiasmo com que os jovens
se entregam a longas "baladas" com muita dança e música
eletrônica? Muitas vezes os "já não tão
jovens" apresentam a mesma vitalidade e conseguem impressionantemente
encarar noitadas que se prolongam até mesmo quando o sol já
vai alto. Em festas chamadas raves, a música e a dança
se
É
evidente que a humanidade sempre fez uso de diversas substâncias
psicoativas de diferentes espécies ao longo de toda sua existência
de forma muitíssimo variável. A mais tradicional droga psicoativa
que se conhece em todo o mundo é o álcool em todas as suas
apresentações (destilados e fermentados). O uso do álcool
está intimamente incorporado à sociedade ocidental, indo
desde seu uso hedonístico eventual, até o uso religioso
ritual (como o vinho na Missa, por exemplo), passando pelos horrores da
dependência química e o flagelo do alcoolismo. Também
parte inseparável de nossa cultura está o uso da cafeína
(café e chá preto), substância psicoestimulante de
uso legal e totalmente corriqueiro. O tabaco (Nicotiana tabacco), sob
forma de cigarros, charutos ou fumo, é igualmente substância
largamente difundida e que tem sido alvo de diversas ações
governamentais de saúde pública devido aos altos índices
de lesões irreversíveis e graves de múltipla ordem
(respiratórias, cardiovasculares, cerebrais, cancerígenas,
etc.). Mas nenhuma outra substância criou alterações
sociais tão grandes em tão pouco tempo de uso em larga escala
quanto o ecstasy. Toda uma cultura "neo-psicodélica"
foi criada em torno desta droga. A transformação nos hábitos
sociais e nos valores adotados pelos jovens de nossa sociedade é
apenas comparável ao "boom" psicodélico dos anos
'60, mesmo assim, guardando, ao meu ver, um impacto mais contundente sobre
os rumos da juventude.
A sensação de euforia e prazer criada artificialmente pelo ecstasy passa a ser ao usuário incomparável a qualquer sensação de euforia que ocorra naturalmente e muito rapidamente a palavra "diversão" passa a ser sinônimo de ecstasy para aqueles que, sem perceberem, já desenvolveram um nível considerável de dependência. Entretanto, um dos piores e mais perigosos efeitos colaterais causados pelo ecstasy é a súbita elevação da temperatura corpórea (o MDMA provoca hipertermia). Isto pode causar uma desidratação profunda e, em muitos casos, levar à morte. Nas raves, os usuários costumam ingerir litros d'água, tentando resfriar e hidratar o corpo. Embora não muito prejudicial a curto prazo, o MDMA apresenta sérias injúrias a longo prazo. Uma delas é a diminuição do peso do usuário, uma vez que o MDMA inibe o apetite e provoca um grande desgaste calórico. Existem vários artigos que evidenciam, também, a relação entre o uso do MDMA e distúrbios cardio-vasculares.
Toda uma cultura foi criada em torno do ecstasy. Conhece-se a "e-music", que tanto pode ser sigla para eletronic music, quanto para ecstasy music. Ritmos específicos como o trance (transe) e o psychodelic (psocodélico) foram criados para aumentar a sensação provocada pelo ecstasy. A decoração de ambientes onde o uso de psicodélicos é incentivado sempre traz um excesso de estímulos visuais (luzes psicodélicas e fluorescentes), sonoros (som eletrônico altíssimo e repetitivo) e táteis (paredes revestidas com diferentes texturas, ambientes com divãs, camas e muitas almofadas), propiciando as alterações sensoperceptivas. Apesar de que a sociabilidade esteja aumentada e haja uma tendência à sensualidade, a sexualidade propriamente dita encontra-se diminuída com o uso do ecstasy e há uma espécie de alienação e desligamento do mundo. O resultado final desta combinação, sob um ponto de vista sociológico, é o aparecimento de uma sub-cultura característica chamada de cultura "clubber". Os clubbers de maneira geral acabam desenvolvendo uma dependência química múltipla e tendo uma visão psicodélica do mundo, não percebendo a realidade como ela é. O consumismo é característica marcante deste grupo social, bem como um culto exagerado à estética, paradoxalmente acompanhada de uma deterioração na capacidade crítica e criativa relacionada às artes, uma vez que devido ao efeito psicodélico, qualquer estímulo possa ser entendido como prazeroso. Ocorre também uma espécie de segregação e preconceito contra qualquer proposta que fuja à proposta psicodélica, só interessando aos clubbers aquilo que é clubber ou correlato. A
cultura clubber aparece então como o movimento de contra-cultura
do século XXI. Gerado pela frustração do pós-tudo
(pós-moderno, pós-hippie, pós-punk, pós-dark),
o impulso clubber é uma proposta sem proposta, uma pura
e simples alienação do tempo e do espaço, impulsionado
pelos psicodélicos. A fuga da realidade, o hedonismo exacerbado
de um pensamento cape diem, o desdém pela cultura, pelos valores
sociais e pelo conhecimento, a simples auto-anestesia como solução
e o repúdio a tudo e a todos que os possam fazer acordar deste
transe perpétuo são suas marcas registradas. Incrivelmente,
a cultura clubber englobou em si elementos desconexos herdados
de movimentos de contra-cultura anteriores, tais como o misticismo e a
espiritualização hippies, a estética do modernismo,
do psicodelismo e do Sci-Fi e a depressão e o tédio
dark, usando estes atributos no entanto, de forma esvaziada de
seus significados culturais originais. Em última análise,
o movimento clubber tenta desesperadamente resgatar o glamour próprio
das gerações anteriores, perdendo-se cada vez mais em um
mundo fictício e ilusório de prazeres artificiais e plásticos,
apartando-se de si mesmo e alienando-se da vida. Estas características
de nosso jovens é utilíssima à sociedade de consumo
capitalista que se utiliza delas para manter sua manipulação
e seu controle sobre uma população que deveria ser caracteristicamente
a fonte de críticas sociais e a origem das mudanças e transformações
do status quo. Alguém precisaria despertá-los desta
hipnose coletiva urgentemente! Saiba mais:
Narconon
Arrowhead - USA Ecstasy
Effects - USA National
Institute on Drug Abuse - USA E for
Ecstasy by Nicholas Saunders - UK Ecstasy
and The Dance Culture Ecstasy
& Cia Babado
Forte
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